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2025 consolida a tokenização de ativos financeiros

A tokenização de ativos ganhou força em 2025 com avanços regulatórios no Brasil e no exterior. O foco passou de "se" para “como”, destacando eficiência, segurança e modernização do sistema financeiro.

23/7/2026
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O que é a tokenização de ativos financeiros

A tokenização de ativos financeiros consiste na representação digital de ativos tradicionais por meio de tokens, utilizando tecnologias como blockchain e outros sistemas de registro distribuído (DLT).

Esses tokens não criam novos ativos, mas funcionam como uma forma tecnológica alternativa de representação de instrumentos já existentes, como:

  • Títulos públicos;
  • Títulos bancários;
  • Títulos de dívida corporativa;
  • Ações;
  • Cotas de fundos de investimento.

O entendimento regulatório predominante é o de que a tokenização não altera a natureza jurídica do ativo subjacente, aplicando-se o princípio de que a mesma atividade, com os mesmos riscos, deve observar as mesmas regras.

Avanço regulatório no Brasil e no cenário internacional

O ano de 2025 foi marcado por avanços regulatórios relevantes no tratamento dos ativos virtuais e da tokenização. No Brasil, o Banco Central editou resoluções que disciplinam o regime dos prestadores de serviços de ativos virtuais, enquanto a lei 14.478/22 consolidou a exclusão dos valores mobiliários e ativos financeiros tokenizados do conceito de ativo virtual.

No exterior, destacam-se iniciativas como:

  • A plena entrada em vigor do regulamento europeu sobre mercados de criptoativos;
  • A criação de um marco legal nacional para stablecoins nos Estados Unidos;
  • A atuação de organismos internacionais, como a IOSCO, no estudo dos impactos da tokenização.

Esse conjunto de iniciativas reflete um movimento global de integração da tokenização ao sistema financeiro formal.

Impactos da tokenização no ciclo de vida dos ativos

A tokenização de ativos financeiros pode impactar todo o ciclo de vida dos instrumentos financeiros, abrangendo:

  • Emissão;
  • Distribuição;
  • Negociação;
  • Liquidação;
  • Custódia.

Automação por meio de contratos inteligentes

A utilização de contratos inteligentes permite automatizar a liquidação das operações a partir do bloqueio prévio dos ativos e dos recursos financeiros envolvidos. Essa automação reduz falhas operacionais e aumenta a eficiência em transações que não demandam arranjos mais complexos.

Eficiência na escrituração e na custódia

As tecnologias DLT possibilitam o controle de existência e de titularidade de ativos por meio de registros imutáveis e rastreáveis em uma única rede. Esse modelo pode reduzir custos operacionais, preservando a segurança e a integridade do sistema.

Tokenização e as infraestruturas tradicionais de mercado

O avanço da tokenização não implica, necessariamente, a substituição das infraestruturas tradicionais de mercado. O cenário mais provável é o de convivência entre diferentes arranjos institucionais e tecnológicos.

Depositárias centrais continuam exercendo papel relevante na segurança do sistema financeiro, mas também podem atuar como agentes de difusão da tokenização, adaptando seus serviços às novas tecnologias.

Um exemplo dessa evolução pode ser observado nas plataformas de crowdfunding de investimento, que já operam com modelos integrados de distribuição, escrituração e negociação, beneficiando-se de dispensas regulatórias específicas.

Desafios regulatórios e pontos de atenção

Apesar dos avanços, a tokenização de ativos financeiros ainda apresenta desafios, especialmente quanto à qualificação jurídica de determinados tokens e à definição de seus enquadramentos regulatórios.

A legislação e a regulação associadas à tokenização estão em constante evolução. A reforma dos marcos regulatórios e a publicação de normas complementares tornam essencial o acompanhamento contínuo das atualizações para garantir conformidade e segurança jurídica.

Conclusão

A tokenização de ativos financeiros representa um avanço relevante na modernização do mercado financeiro, com potencial para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e ampliar as alternativas disponíveis para emissores e investidores.

O amadurecimento regulatório observado em 2025 indica que a tokenização deixou de ser um experimento para se tornar parte integrante das infraestruturas de mercado, em convivência com os modelos tradicionais.

Autor

Keila Martins de Almeida Especialista em atividade financeira da Contabilizaibank.

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