A jornada de trabalho de seis dias com um de descanso (6x1) tem sido o padrão histórico em setores essenciais da economia brasileira, tais como varejo e serviços.
No entanto, o debate em torno de sua eliminação cresceu nacional e globalmente, sob o argumento de que esse modelo seria resquício de uma era industrial que desconsidera a saúde mental e os ganhos de produtividade da era digital.
Vale a pena a reflexão acerca dos prováveis fundamentos dessa transição.
O argumento social e a saúde do trabalhador
A escala 6x1 cria o que sociólogos chamam de "pobreza de tempo".
Com apenas um dia de folga semanal, o trabalhador destina seu único dia livre a tarefas domésticas e recuperação física, e sacrifica o convívio familiar, o lazer e a educação.
Impacto na saúde mental:
O regime de seis dias está diretamente relacionado a níveis elevados de “burnout” e transtornos de ansiedade.
A falta de um verdadeiro "desligamento" impediria a regeneração cognitiva necessária para funções complexas.
Qualificação profissional:
Em um mercado que exige atualização constante, digo diária, a escala 6x1 é uma barreira.
O trabalhador não consegue encontrar tempo para cursos cursos ou graduações, o que estagnaria sua mobilidade social.
A perspectiva econômica:
Produtividade e custo:
Os prós da extinção (A teoria do ganho de eficiência)
Muitos economistas argumentam que menos horas de trabalho não significam menos produção.
Isto porque o foco se desloca da "hora na cadeira" para a eficiência.
Redução do absenteísmo:
Trabalhadores com mais tempo de descanso costumam faltar menos e tendem a apresentar menor rotatividade, o que em tese pelo menos, reduziria custos relacionados a contratações e treinamentos.
Estímulo ao consumo:
Uma população com dois dias de folga tende a consumir mais serviços de lazer, turismo e gastronomia, realidade que em tese injetaria capital em setores que atualmente operam no limite.
Os contras (O desafio operacional e inflacionário)
A resistência do setor produtivo não é apenas ideológica, mas também financeira.
Vejamos porque:
Aumento do custo de ocupação:
Para manter uma loja aberta sete dias por semana sem a escala 6x1, o empresário precisará contratar mais funcionários para cobrir os turnos, o que vai aumentar diretamente a folha de pagamento.
Ora, haverá por conseguinte inafastável pressão Inflacionária, pois em serviços de baixa margem, como supermercados de bairro, v.g., o aumento do custo trabalhista pode ser e certamente será repassado ao preço final, realidade que afetará com certeza as classes mais baixas.
Justificativas jurídicas e comparativo internacional
Atualmente, a ConstituiçãobBrasileira estabelece um limite de 44 horas semanais.
A eliminação da escala 6x1 exigiria uma redução para, no máximo, 40 ou 36 horas, como no modelo 4x3 ou 5x2 sem redução salarial.
Tendência global:
Países como Islândia, Reino Unido e Bélgica realizaram testes com a semana de 4 dias e os resultados mostraram que a produtividade se manteve ou aumentou, enquanto o bem-estar melhorou significativamente. Mas, vale a ressalva: falamos e exemplificamos com países de primeiríssimo mundo!
Risco de informalidade:
Um dos principais argumentos jurídicos contra a proibição radical é o risco de levar o trabalhador à "gig economy", ou seja, realidade na qual ele pode acabar trabalhando 7x0 sem qualquer proteção, buscando compensar a perda de renda ou a falta de empregos formais.
Tabela comparativa:
O impacto da mudança conclusão:
É viável?
A eliminação da escala 6x1 não é apenas um desejo humanitário, mas uma discussão sobre o modelo de desenvolvimento do país.
Mais que isso:
Para que se torne viável sem prejudicar o pequeno empresário, a transição precisaria ser acompanhada de desoneração da folha:
O governo deve e precisa reduzir impostos sobre contratações para compensar o aumento de pessoal.
Automação:
Investir em tecnologia para que o trabalho humano se torne mais estratégico e menos mecânico.
O fim do regime 6x1 reconhece que, na economia do conhecimento, o descanso não é o oposto do trabalho, mas sim uma condição necessária.
Porém, vale a indagação:
Como equilibrar o aumento imediato dos custos para as empresas com os benefícios de longo prazo para a produtividade nacional?
Na verdade e finalmente, no cenário político da atualidade, seria de todo necessário e indiscutivelmente desejável que esta discussão não tivesse lugar em ano e contexto eleitoral.