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Na era da inteligência artificial, o sertão tem o saber natural

Do sertão à inteligência artificial, a eficiência nasce da adaptação: Tecnologia, Direito e humanidade se encontram para aproximar a advocacia do Brasil real.

15/9/2026
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O escritor Euclides da Cunha reconhece em seu mais famoso livro que "o sertanejo é, antes de tudo, um forte". Advogo desde jovem para milhares deles no Tocantins, no Piauí, em Goiás, na Bahia, três regiões do Brasil, e garanto que o autor de “Os Sertões” está certo. Porém, sobreviver nesses lugares nunca foi apenas questão de força, sempre também de inteligência. Durante décadas militei no Direito Previdenciário no Sul piauiense, terra originária da parte materna de minha família, onde convivi com sábios que se tivessem se dedicado às áreas premiáveis já seriam agraciados com o Nobel.

Ali, a vegetação aprende a economizar água, as raízes descem fundo, os rios procuram caminhos improváveis e a chuva, quando chega, transforma logo o ânimo em sorrisos, a paisagem em verdejante, os rostos em telas da felicidade. É a natureza fazendo networking com a vida e aplicando sua lição antiga sobre eficiência. Crescer não significa desperdiçar recursos, mas aprender a utilizá-los melhor.

Aí, então, as fronteiras se extinguem, campo e cidade se entrelaçam, pois se o planeta é nossa casa, não faz sentido o país se dividir entre urbano e rural, somos todos passageiros da satisfação. A tecnologia, que tornou agricultável qualquer chão, está fazendo brotar lucro entre mesas, paredes, salas, pois a inteligência artificial começa a trazer essa lógica para a advocacia.

Durante muito tempo, ampliar o atendimento jurídico significava robustecer também a estrutura. Mais clientes exigiam mais funcionários, mais telefones, mais mensagens acumuladas e mais horas destinadas a tarefas repetitivas. Hoje, a tecnologia permite que parte dessa capacidade seja ampliada sem exigir, na mesma proporção, o crescimento físico do escritório.

Grande parte da utilização da IA no Direito tem se concentrado na produção jurídica. Ferramentas generalistas, como ChatGPT e Claude, auxiliam em pesquisas, organizam argumentos, revisam textos, estruturam peças. Avanço relevante, óbvio, mas existe uma etapa anterior que muitas vezes permanece fora do debate, pois antes da tese, existe o cliente; antes da petição, existe alguém procurando ajuda.

Nesse ponto é que o ChatJurídico apresenta uma aplicação inovadora da inteligência artificial. Em vez de utilizar a tecnologia apenas depois que a demanda já chegou ao advogado, a plataforma a coloca na porta de entrada do escritório, especialmente no atendimento realizado pelo WhatsApp. Segundo informações da empresa, a solução combina CRM, funil de atendimento, múltiplos atendentes e agentes de IA capazes de realizar triagem e qualificação inicial de contatos, além de manter o atendimento disponível 24 horas por dia.

A experiência, presente em milhares de bancas de advocacia, faz a diferença parecer simples, mas representa uma mudança importante de perspectiva. Enquanto outras aplicações de IA proporcionam eficácia sobre demanda já existente, ferramentas voltadas ao atendimento melhoram o caminho pelo qual essa demanda chega ao escritório. E, na advocacia, essa etapa está longe de ser secundária. Sem cliente, não há tese; sem semente, não há fruto.

Antes, a gente já ia até a lavoura conhecer o seu José, a dona Maria; agora, bom, a gente continua indo aonde o povo está, mas os caminhos mudaram. As distâncias foram encurtadas e as barreiras das estradas difíceis deram lugar às novas conexões da tecnologia.

No fim das contas, seguimos falando com quem precisa do Direito, com o Brasil real. Só que agora a tecnologia também pegou a estrada. O tech é cada vez mais pop, cada vez mais humano e, por que não, cada vez mais sertanejo.

Autor

Pedro Lustosa do Amaral Hidasi Advogado especialista defesa dos Servidores Públicos, é sócio do escritório Hidasi Aires e Andrade Advogados e Associados e membro de comissões jurídicas.

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