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Moraes anula sindicância do CFM sobre atendimento médico a Bolsonaro

Para ministro, apuração determinada pelo Conselho Federal de Medicina é ilegal e contém desvio de finalidade.

7/1/2026
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Ministro Alexandre de Moraes declarou a nulidade da determinação do CFM - Conselho Federal de Medicina que ordenava a instauração imediata de sindicância para apurar as condições do atendimento médico prestado ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, atualmente preso na Polícia Federal do DF.

Na decisão, Moraes afirmou que a atuação do CFM é marcada por "flagrante ilegalidade', ausência de competência correicional sobre a Polícia Federal e evidente desvio de finalidade, além de demonstrar "total ignorância dos fatos" apurados no processo.

O relator destacou que, em decisão anterior, de 22/11/25, já havia determinado a disponibilização de atendimento médico em tempo integral ao ex-presidente, providência que garantiu assistência imediata pela equipe médica da PF.

Conforme relatório médico juntado aos autos pela Superintendência da PF, Bolsonaro relatou queda da cama durante a madrugada, com leve traumatismo craniano e contusões, mas foi avaliado consciente, orientado, sem sinais de déficit neurológico e em condições hemodinâmicas estáveis.

A equipe concluiu não haver necessidade de remoção hospitalar imediata, comunicando o quadro à equipe médica assistente de Bolsonaro.

Posteriormente, exames realizados no Hospital DF Star não apontaram qualquer sequela ou complicação relacionada ao episódio, o que, segundo Moraes, reforça a inexistência de omissão ou falha no atendimento prestado pela Polícia Federal.

Ministro Alexandre de Moraes anulou sindicância do CFM que apuraria condições de atendimento médico a Bolsonaro.(Imagem: Victor Piemonte/STF)

Medidas determinadas

Diante desse contexto, o ministro declarou nula, em âmbito nacional e estadual, qualquer apuração do CFM com esse objeto específico.

Além disso, determinou a oitiva, pela PF, do presidente do Conselho Federal de Medicina, no prazo de dez dias, para explicar a conduta da autarquia e apurar eventual responsabilidade criminal.

E o envio, pelo diretor do Hospital DF Star/DF, de todos os exames e laudos médicos realizados em Jair Bolsonaro na data da decisão, no prazo de 24 horas.

Veja a decisão.

"Sangue nas mãos"

A decisão de Moraes foi proferida um dia após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticar as autoridades responsáveis pela custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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Em declarações a jornalistas na terça-feira, 6, após visita à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Michelle afirmou que a saúde do marido estaria em risco e atribuiu eventual agravamento do quadro ao ministro Alexandre de Moraes e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo Michelle, Bolsonaro sofreu uma queda horas antes da visita, mas a família só teria tomado conhecimento da real dimensão do episódio após atraso no acesso ao local.

Ela relatou ter encontrado o ex-presidente com hematoma no rosto, ferimento no pé e respostas lentas, além de afirmar que ele não se lembrava do ocorrido.

A ex-primeira-dama chegou a dizer que o ex-presidente estaria sendo "torturado" e que haveria negligência no atendimento médico durante a custódia.

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