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Para Cármen, mulheres para a sociedade são "quase seres humanos"

Em voto, ministra declarou que o assassinato da vereadora Marielle Franco revela como as mulheres ainda são invisibilizadas e excluídas pela sociedade.

25/2/2026
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Em sessão da 1ª turma do STF nesta quarta-feira, 25, ministra Cármen Lúcia afirmou que o assassinato da vereadora Marielle Franco revela como as mulheres ainda são invisibilizadas e excluídas pela sociedade, sem reconhecimento pleno de seus direitos.

Durante o julgamento, a ministra destacou a dimensão simbólica de uma fala de Marielle, amplamente divulgada na imprensa: “Sou uma mulher e uma mulher negra, e não é porque sou mulher que não vão ter que ouvir minha voz”.

Para Cármen, a frase evidencia não apenas a resistência da vereadora, mas também a estrutura de exclusão enfrentada por mulheres.

Em voto, afirmou: “Nós mulheres, e mesmo eu branca, e mesmo eu juíza, nós somos mais ponto de referência do que sujeito de direitos. Sabe aquela que está ao lado daquela mulher magrinha? Sabe o lado daquela de cabeça branca? Nós somos referência. Nós somos quase muito parecidas com seres humanos, mas não temos a integridade ainda de um reconhecimento pleno”.

A ministra concluiu ressaltando a vulnerabilidade histórica das mulheres na sociedade: “Matar uma de nós é muito mais fácil. Matar fisicamente, matar moralmente, matar profissionalmente. É muito mais fácil”.

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Assista:

Marielle presente, Direito presente

A fala se deu no contexto do julgamento da Corte da ação penal que apura a responsabilidade pelos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018, no Rio de Janeiro.

Em voto, a ministra fez uma manifestação marcada por forte carga emocional e simbólica. Afirmou que o caso expõe uma realidade persistente de violência política e atuação de estruturas criminosas no país, mencionando a passagem “do gabinete do ódio ao escritório do crime” para ilustrar a gravidade do cenário.

Ao final, concluiu: "Várias vezes a gente tem escutado nesses oito anos que Marielle e Anderson continuam presentes. O Direito também, continua presente".

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