O ministro do STF, André Mendonça, determinou a prisão preventiva de envolvidos na operação Compliance Zero, entre eles Daniel Vorcaro, no contexto de investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de crimes financeiros e de corrupção ligado ao Banco Master.
Na decisão, o relator citou mensagens que indicariam um plano de agredir o jornalista de O Globo Lauro Jardim.
Segundo a investigação, o grupo teria atuado por meio de diferentes núcleos, incluindo um financeiro, voltado à captação de recursos, e outro responsável por monitoramento e intimidação de pessoas consideradas adversárias.
Núcleo de intimidação
De acordo com a decisão, parte dessas ações seria executada por uma estrutura paralela chamada “A Turma”, descrita nos autos como responsável por vigilância, obtenção de informações e pressão contra pessoas vistas como prejudiciais aos interesses do grupo.
Entre os elementos citados aparecem conversas atribuídas a integrantes da organização nas quais o nome do jornalista Lauro Jardim é mencionado após a publicação de notícia considerada negativa.
A decisão afirma que os diálogos indicariam um plano para simular um assalto e, com isso, atacar o jornalista e tentar silenciar críticas.
Diante desse cenário, André Mendonça determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Também foram impostas medidas cautelares a outros investigados, como afastamento de função pública, proibição de contato entre envolvidos e monitoração eletrônica.
Movimentações bilionárias
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades na gestão do Banco Master. Segundo a PF, o grupo teria captado recursos de forma agressiva, por meio da emissão de títulos com rentabilidade acima da média do mercado, e direcionado esses valores para operações de alto risco, compra de ativos de baixa liquidez e fundos ligados ao próprio conglomerado.
A investigação aponta cifras bilionárias e indica que o esquema pode ter sido favorecido por falhas de controle interno nas instituições envolvidas. O inquérito começou sob relatoria do ministro Dias Toffoli, mas foi redistribuído após a Polícia Federal enviar ao STF relatório que mencionava o magistrado, passando então ao ministro André Mendonça, que autorizou a nova fase da operação.
- Processo: Pet 15.198
Leia a decisão.
Sobre os fatos, O Globo divulgou a seguinte nota:
"O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público."