O avanço da IA, o aumento da desinformação e os limites da atuação de empresas no período eleitoral são apontados por especialistas da área jurídica, política e institucional como os principais desafios das eleições de 2026. O alerta foi feito durante o evento "Eleições 2026: especialistas debatem regras, cenário e estratégias de posicionamento", que aconteceu dia 8/5, em São Paulo, organizado pelo escritório Rubens Naves Santos Jr. Amorim Advogados, em parceria com a Pulso Público – Consultoria Política.
O debate reuniu advogados, cientistas políticos, especialistas em advocacy e integrantes da Justiça Eleitoral para discutir o cenário político de 2026 e orientar empresas e instituições sobre riscos, limites legais e estratégias de atuação antes, durante e após as eleições.
Entre os principais pontos discutidos estiveram os riscos do uso da IA para manipulação de conteúdo político, os limites legais da participação empresarial nas eleições, o crescimento da polarização e as estratégias de posicionamento institucional de organizações em um ambiente de alta exposição reputacional e regulatória.
"A descontextualização permitida pela IA vai ser a grande preocupação desta eleição", afirmou o secretário de Justiça da cidade de São Paulo e ex-juiz titular do TRE/SP, André Lemos. Segundo ele, a tecnologia pode ampliar desequilíbrios no processo eleitoral e exigir atuação cada vez mais rigorosa da Justiça Eleitoral.
O juiz do TRE/SP Claudio Langroiva Pereira também chamou atenção para o impacto da tecnologia sobre a difusão de conteúdos políticos. "Nenhum de nós está preparado tecnologicamente e, principalmente, mentalmente e espiritualmente para o que vamos ter em matéria de difusão eleitoral", afirmou.
O advogado Guilherme Amorim Campos da Silva, sócio do escritório Rubens Naves Santos Jr. Amorim Advogados, ressaltou que o debate democrático dentro das empresas é legítimo, mas exige neutralidade e responsabilidade institucional.
"É possível um debate democrático, sem impor preferências ou apontar um candidato. É preciso buscar a neutralidade e a liberdade do eleitor e funcionário da empresa". Segundo ele, empresas podem promover debates sobre temas de interesse público e campanhas contra a desinformação, desde que não haja apoio político direto ou indireto a candidatos.
Durante o encontro, também foram discutidos os efeitos da polarização política, os impactos da comunicação digital sobre as eleições e o fortalecimento da cobrança da sociedade civil após o pleito. O cientista político Vitor Oliveira afirmou que fatores econômicos e estruturais podem favorecer candidaturas à reeleição, embora mudanças culturais e de comunicação ainda tornem o cenário imprevisível. "O que será mais relevante nas eleições? Questões estruturais ou conjunturais? Ainda não é possível saber", disse.
A advogada Daniela Castro defendeu que o debate eleitoral ultrapassa questões jurídicas e envolve o fortalecimento das instituições democráticas. "Aqui não é uma discussão jurídica e sim uma discussão civilizatória", afirmou.
O encontro abordou, ainda, governança, advocacy, liberdade de expressão, fiscalização eleitoral e os desafios do posicionamento institucional de empresas em um cenário de crescente pressão política e digital. Também participaram do encontro Marcelo Issa, mestre em Ciência Política, bacharel em Direito e fundador do Movimento Transparência Partidária; Alexandre Maldonezi, especialista em gestão e inovação urbana e ex-secretário municipal das subprefeituras; e Jessica Lana, jornalista com atuação no Terceiro Setor e coordenadora executiva do Advocacy Hub.