A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira, 14, Henrique Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em Belo Horizonte/MG. A prisão ocorreu na sexta fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras e ocultação patrimonial ligadas ao Banco Master.
A ordem foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, relator do caso. Investigadores suspeitam que Henrique Vorcaro integrava o suposto esquema e teria atuado em movimentações relacionadas ao patrimônio do filho.
A nova fase mira integrantes da chamada “A Turma”, apontada como uma estrutura de coerção montada sob o comando do ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas. O cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, presos em março em outra fase da Compliance Zero, fariam parte do grupo.
Segundo a PF, esta etapa busca aprofundar as investigações sobre organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos.
Na operação, policiais Federais cumprem medidas determinadas pelo STF em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. A decisão também determinou o afastamento de investigados de cargos públicos, além do sequestro e bloqueio de bens.
São investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.
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Henrique Vorcaro é empresário mineiro dos setores de infraestrutura e construção. Ele fundou e lidera o Grupo Multipar, conglomerado com atuação em engenharia, energia, agronegócio e mercado imobiliário.
O grupo ganhou espaço principalmente em contratos ligados à infraestrutura e a obras de grande porte em Minas Gerais.
Atuação estrutural
Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que há “quadro indiciário robusto” de existência de uma organização criminosa estruturada em dois núcleos: “A Turma”, voltada a ameaças, intimidações, obtenção de dados sigilosos e monitoramento clandestino, e “Os Meninos”, responsável por ataques cibernéticos e invasões telemáticas.
Segundo o relator, Henrique Vorcaro não aparecia apenas como pai de Daniel Vorcaro, mas como integrante ativo da engrenagem investigada. O ministro afirmou que os elementos reunidos indicam que ele atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro do núcleo ‘A Turma’”.
Mendonça destacou que conversas extraídas do celular do policial federal aposentado Marilson Roseno indicariam que Henrique Vorcaro continuou “solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para a manutenção do grupo mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero”.
O ministro também citou diálogos que apontariam repasses financeiros destinados ao grupo. Em um dos trechos reproduzidos na decisão, Henrique Vorcaro teria informado que enviaria “400”, valor que, segundo a PF, seria compatível com a quantia mensal destinada à manutenção da estrutura criminosa.
Para o relator, os elementos apontam “relação estável de troca”, na qual Henrique Vorcaro financiaria o grupo e, em contrapartida, utilizaria seus serviços ilícitos.
A decisão ainda menciona que Henrique Vorcaro teria trocado números telefônicos com frequência e passado a utilizar linha internacional registrada na Colômbia após fases anteriores da operação. Para Mendonça, as circunstâncias “se harmonizam com o padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas”.
O ministro também apontou indícios de tentativa de obtenção de informações sigilosas sobre investigações envolvendo Henrique Vorcaro. Segundo a decisão, integrantes da estrutura teriam recorrido a policiais federais para consultar dados internos relacionados a inquéritos de interesse do empresário.
Ao justificar a prisão preventiva, André Mendonça afirmou que há indícios de atuação contínua da organização criminosa, risco de reiteração delitiva e possibilidade de destruição de provas. Segundo o relator, os investigados poderiam utilizar “sua rede de influência para encobrir ilícitos, coagir testemunhas com o emprego de violência, ocultar dados e destruir provas”.
Movimentação bilionária
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano, também por determinação do ministro André Mendonça.
Desde o início das investigações, já havia suspeitas de envolvimento do pai do ex-banqueiro nas fraudes. Henrique Vorcaro era presidente da Multipar, empresa que movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master, segundo o Coaf - Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
Para o Conselho, a movimentação sugere tentativa de ocultação patrimonial.
- Processo: Pet 15.978
Leia a decisão.