Em meio à campanha Junho Vermelho, uma das dúvidas mais frequentes é sobre os direitos dos trabalhadores que doam sangue. A legislação garante ao empregado um dia de ausência remunerada por ano para doação voluntária, mediante comprovação emitida pelo hemocentro ou instituição responsável.
A advogada trabalhista Rithelly Eunilia Cabral, do escritório Aparecido Inácio e Pereira Advogados Associados, explica que o direito busca incentivar práticas de interesse público sem gerar prejuízos ao trabalhador. "A previsão legal reconhece a relevância social da doação de sangue e garante que o trabalhador possa participar dessa iniciativa sem impactos na remuneração ou na relação de trabalho", afirma.
Além da dispensa legal, a especialista destaca que o Junho Vermelho também amplia o debate sobre o papel das empresas na promoção de campanhas de conscientização. Segundo ela, muitas organizações realizam ações internas para estimular a participação dos colaboradores, principalmente diante dos frequentes alertas sobre baixos estoques nos hemocentros.
"As empresas podem divulgar campanhas, promover ações educativas e facilitar o acesso à informação. O que não pode ocorrer é qualquer tipo de imposição ou tratamento diferenciado em razão da escolha do trabalhador de participar ou não da iniciativa", comenta Rithelly.
De acordo com dados divulgados em 2025 pelo Ministério da Saúde, 1,6% da população brasileira realizou doação de sangue em 2024, percentual dentro da faixa recomendada pela OMS - Organização Mundial da Saúde. Ainda assim, Rithelly aponta que campanhas como o Junho Vermelho seguem sendo importantes para estimular a doação regular e manter os estoques dos hemocentros em níveis adequados ao longo do ano.
"A legislação contribui para remover barreiras que poderiam dificultar a participação dos trabalhadores em ações de interesse coletivo. Quando o empregado tem a segurança de que poderá exercer esse direito sem prejuízos, cria-se um ambiente mais favorável para a doação voluntária", conclui a advogada.