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Tecnologia de provas digitais ganha destaque em decisão judicial

Plataforma da Verifact integrou ação que questionou postagem contra Arthur Lira antes de remoção ou alteração nas redes sociais, em condenação do senador Renan Calheiros

19/6/2026
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A condenação do senador Renan Calheiros por propaganda eleitoral antecipada, determinada pelo TRE/AL no dia 11/6, teve entre seus elementos documentos registrados na plataforma da Verifact, empresa brasileira de tecnologia especializada na produção de provas digitais com validade jurídica. A plataforma foi utilizada pela parte autora da ação para registrar e preservar uma publicação feita pelo parlamentar contra o deputado Federal Arthur Lira nas redes sociais, garantindo que o conteúdo permanecesse disponível para análise judicial exatamente como havia sido divulgado originalmente.

Um dos principais desafios do processo era garantir que a postagem permanecesse disponível para análise judicial exatamente da forma como fora publicada. Como conteúdos em redes sociais podem ser alterados, editados ou removidos a qualquer momento, a parte autora recorreu à plataforma da Verifact para documentar tecnicamente a publicação logo após sua divulgação.

A tecnologia permite capturar e preservar conteúdos disponíveis na internet — publicações em redes sociais, páginas da web, vídeos, mensagens e outros registros digitais. A coleta é realizada em ambiente técnico controlado e isolado, com registro automático no momento exato da captura, documentando quando, onde e em que contexto determinado conteúdo estava disponível online. O objetivo é produzir um registro confiável da evidência, especialmente num ambiente altamente dinâmico como a internet, onde informações podem desaparecer em questão de minutos.

O serviço da Verifact preservou publicação em rede social para garantir sua validade como prova digital.(Imagem: Magnific)

"As eleições estão cada vez mais conectadas às redes sociais e aos aplicativos de mensagens", diz Regina Acutu, CEO e cofundadora da Verifact. "Preservar a evidência no momento em que ela está disponível na internet é fundamental para garantir que fatos possam ser analisados posteriormente pelas autoridades competentes".

A executiva destaca que a Verifact não tem acesso ao conteúdo capturado. A coleta é realizada diretamente pelo próprio usuário, que aciona a ferramenta para registrar o material no momento em que ele está disponível online. A relevância do tema, a facilidade de operação e a segurança da plataforma motivaram a renovação do Acordo de Cooperação Técnica do MPF - Ministério Público Federal com a Verifact para o uso da plataforma durante as eleições de 2026. A instituição utilizou a plataforma durante o pleito de 2022, em que realizou mais de 2.000 coletas de evidências digitais relacionadas a possíveis irregularidades no ambiente online.

O que torna uma prova digital válida juridicamente?

Para que um conteúdo digital seja aceito em processos judiciais, é preciso comprovar que o registro não foi alterado após a coleta e que sua origem é verificável. Um simples print de tela, por exemplo, pode ser facilmente questionado na Justiça, pois não há como comprovar que a imagem não foi editada, nem registrar com precisão o momento de captura do conteúdo.

Os principais requisitos são:

  • Registro do momento exato da coleta

A prova precisa conter data e hora verificáveis, que comprovem quando o conteúdo estava disponível online

  • Identificação da origem

É necessário registrar de onde o conteúdo foi coletado, incluindo a URL e o ambiente em que estava publicado

  • Integridade do conteúdo

O registro deve demonstrar que o material não foi editado ou adulterado após a captura

  • Cadeia de custódia

O caminho percorrido pela evidência, desde a coleta até a apresentação judicial, precisa ser documentado e rastreável

  • Conformidade técnica

A coleta realizada em ambiente controlado e isolado reduz o risco de contestação judicial, seguindo padrões como a ISO 27.037 e os princípios do CPP brasileiro.

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