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"Vontade de entrar embaixo da bancada", brinca Cármen ao ser homenageada

Durante homenagens por completar duas décadas no Supremo, ministra admitiu se sentir constrangida em celebrações.

24/6/2026
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Em sessão do plenário do STF nesta quarta-feira, 24, a Corte homenageou a ministra Cármen Lúcia pelos 20 anos no Supremo, completados na última segunda-feira.

A celebração foi marcada pelo constrangimento da homenageada, que admitiu sentir vergonha ao ser colocada no centro das atenções.

20 anos não são 20 dias

O primeiro a se manifestar foi o ministro Alexandre de Moraes, que destacou a trajetória institucional de Cármen Lúcia, e a definiu como um "paradigma de juíza, de magistrada, de professora".

Moraes relembrou que tomou posse no STF em março de 2017, durante a gestão da ministra na presidência da Corte, e ressaltou o convívio construído ao longo dos anos.

Na sequência, ministro Edson Fachin revelou que havia preparado um discurso em homenagem à ministra, mas desistiu após um pedido da própria homenageada.

"Atendendo a um pedido de S. Exa., eu entreguei a ela, em mãos, o discurso que eu faria, e que não pronunciei, porque S. Exa. me concitou a não fazê-lo", revelou.

Moraes, então, brincou sobre ter conseguido escapar da recomendação: "Como ela não percebeu, não fui proibido de dar parabéns, então eu atravessei e dei os parabéns em público".

Ao agradecer as manifestações, Cármen explicou o motivo de evitar homenagens relacionadas a aniversários e à data marcante na Corte.

A ministra afirmou sentir constrangimento quando se torna o centro das atenções e revelou ter pedido ao presidente da turma que não houvesse uma pauta formal de homenagens.

"O que eu pedi ao presidente foi só para que não tivesse uma pauta de homenagem, porque aí eu fico querendo entrar embaixo da bancada", brincou.

Apesar da timidez diante dos elogios, afirmou sentir-se honrada e agradeceu pelo reconhecimento dos colegas.Assista o momento:

Duas décadas de Supremo

Natural de Montes Claros/MG, Cármen Lúcia Antunes Rocha é a 30ª representante de Minas Gerais no STF e a única mulher mineira a integrar a Corte em seus 135 anos de história. Indicada em 2006 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tornou-se a segunda mulher a ocupar uma cadeira no Supremo, após Ellen Gracie.

Antes de chegar ao tribunal, atuou como procuradora do Estado de Minas Gerais, integrou a Comissão de Direito Constitucional do Conselho Federal da OAB e foi professora titular de Direito Constitucional da PUC-MG, onde também se formou e concluiu o mestrado.

Reconhecida pela formação humanista, a ministra costuma recorrer à literatura e à poesia em votos e manifestações públicas, citando com frequência autores como Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa.

Única mulher na atual composição do STF, consolidou-se como uma das principais vozes da Corte na defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de gênero. Em 2016, tornou-se a segunda mulher a presidir o STF e o CNJ, cargos que ocupou até 2018. Também foi a primeira mulher a exercer duas vezes a presidência do TSE, comandando as eleições municipais de 2012 e de 2024.

Ao longo de duas décadas no Supremo, participou de julgamentos marcantes sobre liberdade de expressão, federalismo, proteção ao meio ambiente, direitos das mulheres, direito eleitoral, educação e proteção de grupos vulneráveis.

Cármen Lúcia segue como uma das figuras mais influentes da Corte, marcada pela defesa da democracia, dos direitos fundamentais e da Constituição.

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