O influenciador Leonardo Marcondes, que se apresenta nas redes sociais como treinador financeiro, tornou-se alvo de ação civil pública ajuizada pelo MP/SP após afirmar que pessoas pobres não deveriam ter direito ao voto.
A Promotoria de Direitos Humanos da Capital pediu a retirada do vídeo e do perfil do Instagram, além de indenização de R$ 300 mil, por entender que a publicação configura discurso aporofóbico.
Vídeo motivou ação do MP/SP
A ação foi ajuizada na última quinta-feira, 25, pelo promotor Ricardo Manuel Castro, após vídeo em que Leonardo afirmou que pessoas pobres não deveriam ter o direito de votar no Brasil.
“Você já parou pra pensar que pobre não devia ter direito de votar? Pensa comigo. Uma pessoa que é pobre, ela não soube tomar boas decisões pra ter o melhor pra sua família e pra si mesma. E essa pessoa que não tomou boas decisões pra ter o melhor pra si mesma, ela vai agora tomar uma decisão que vai ser o melhor para o país."
Em outro trecho, o influenciador voltou a defender a exclusão de pessoas pobres do processo de escolha política.
“Qual que é a habilidade que essa pessoa tem ao tomar decisões? Nenhuma. É uma pessoa que não deveria votar. Porque um país ou uma empresa não pode estar nas mãos de uma pessoa que não consegue nem ter responsabilidade sobre as próprias atitudes. Tenta pensar quão que o mundo seria um lugar melhor se os pobres não votassem, se o poder de decisão de um país ficasse nas mãos dos ricos, até que o pobre, ele ficasse rico pra que ele conseguisse ter o poder de tomar decisões também."
Assista:
Segundo o promotor, as declarações equiparam a escassez de recursos materiais à irresponsabilidade constitucional, traduzindo-se em conduta marcada pela aporofobia, caracterizada como discurso ofensivo contra pessoas pobres.
Para ele, o influenciador constrói e reforça estereótipos ao associar pessoas pobres à incapacidade, à irresponsabilidade e à exclusão da participação democrática.
Na oitiva realizada pelo MP/SP, Leonardo afirmou que usava a palavra "pobre" em sentido figurado, relacionado à tomada de decisões e à mentalidade, e não à condição financeira.
A Promotoria, porém, sustentou que outras postagens demonstram o contrário, ao associar pessoas pobres à condição econômica e a características depreciativas, como preguiça, falta de higiene, manipulação e incapacidade de tomar boas decisões.
Para o MP/SP, esse conjunto de conteúdos reforça estereótipos e evidencia a prática reiterada de discurso aporofóbico.
Promotoria pede remoção de perfil e indenização
O Ministério Público pediu a retirada do vídeo e de todo o perfil do influenciador do Instagram, bem como a preservação dos dados da conta para fins probatórios.
Também requer que Leonardo seja condenado à obrigação de não realizar novas publicações de conteúdo aporofóbico e participe, no prazo de um ano, de curso sobre inclusão social, com carga horária mínima de 30 horas e abordagem específica sobre aporofobia.
Ao final, a Promotoria requer a condenação de Leonardo Marcondes ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos e dano social, valor a ser revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.
Além de Leonardo Marcondes, a empresa Meta também é ré na ação.
Leia a petição.