O advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, foi encontrado morto na manhã de domingo, 2, em uma estrada de terra no Distrito Industrial Luiz Torrani, em Mogi Mirim/SP, após permanecer desaparecido desde a madrugada de sábado, 1º.
A possibilidade de um crime de ódio é investigada pela Polícia Civil. Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado Fábio Chrysostomo, responsável pelas investigações, afirmou que essa linha de apuração ainda depende do avanço das diligências e da conclusão dos laudos periciais.
Advogado estava desaparecido
Segundo informações divulgas pelo G1, Lucas saiu de casa, em Hortolândia/SP, sem informar para onde iria. Como não retornou, os pais registraram um boletim de ocorrência por desaparecimento na Delegacia de Hortolândia. Familiares relataram que ele vestia roupas informais, o que levou à suspeita de que encontraria amigos.
As buscas foram intensificadas após um amigo da família conseguir informações sobre o trajeto do veículo do advogado, que teria passado por Mogi Mirim durante a madrugada. No domingo, o corpo foi localizado em uma estrada de terra no Distrito Industrial Luiz Torrani. O carro da vítima foi encontrado completamente queimado cerca de sete quilômetros do local.
Sinais de violência
De acordo com a comandante da Guarda Civil Municipal de Mogi Mirim, Elaine Navarro, Lucas foi encontrado sem roupas, em posição fetal e com sinais aparentes de violência no rosto. Havia ainda um tecido amarrado ao pescoço e ao corpo. A causa da morte será determinada por exames periciais.
Segundo o delegado Fábio Chrysostomo, os depoimentos prestados por familiares e pessoas próximas indicam que Lucas não tinha histórico de conflitos ou desavenças.
"Todos os familiares e pessoas próximas que nós ouvimos relatavam que era uma pessoa muito bondosa de coração, e que não possuía nenhuma desavença com nenhuma outra pessoa", afirmou.
Quem foi Lucas Lopes
Lucas Silva Lopes era advogado, graduado em Direito pela PUC - Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Era mestre em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e cursava doutorado na mesma instituição, desenvolvendo pesquisas voltadas aos direitos humanos, à cooperação jurídica internacional e à proteção de grupos vulneráveis, com foco especial nos direitos das pessoas com deficiência.
Ainda na graduação, recebeu menção honrosa por um projeto de iniciação científica sobre cooperação jurídica internacional no âmbito dos direitos humanos. Também publicou artigos científicos, capítulos de livros e textos de opinião sobre inclusão, acessibilidade, capacitismo e direitos das pessoas com deficiência.
Ao longo da carreira, acumulou passagens por empresas privadas e órgãos públicos, entre eles Ambev, BYD Brasil, TJ/SP e TRE/SP. Em seus perfis profissionais, informava ser pessoa com deficiência e mencionava ter paralisia cerebral. Segundo familiares, sonhava em ingressar no Ministério Público e seguir carreira como promotor de Justiça.
O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério Parque Hortolândia.