Durante o julgamento em que o STF analisa a constitucionalidade da proibição da exploração de jogos de azar, o ministro Flávio Dino recorreu à literatura para comentar os efeitos da compulsão por apostas.
Dino afirmou que o voto do relator, ministro Fux, o fez recordar da obra O Jogador, romance de Fiódor Dostoiévski inspirado na própria experiência do escritor com o vício em jogos.
Segundo o ministro, embora Crime e Castigo seja a obra mais frequentemente lembrada do autor russo, é em O Jogador que se encontra um retrato marcante da dependência provocada pelas apostas.
"Enquanto eu ouvia ontem e hoje o voto do relator, me lembrava de um romance muito importante do Dostoiévski. Não é Crime e Castigo, que todos nós citamos e muitas vezes recomendamos para os nossos alunos em sala de aula. Mas há uma nota autobiográfica no romance chamado O Jogador. Quando Vossa Excelência mencionava essa compulsão, é muito curioso que ela está ali descrita com as tintas do século XIX."
Dino observou que a obra demonstra a atualidade do tema e destacou que o próprio Dostoiévski enfrentou problemas com o jogo, circunstância refletida na construção do personagem principal.
"Mostrando que, de fato, é um tema de altíssima gravidade e que tem registros tão vivos como esses, em que o próprio Dostoiévski se tornou um jogador viciado. E ele descreve, a partir do seu personagem, este quadro que Vossa Excelência atualizou para o século XXI."
A manifestação foi feita após a apresentação de parte do voto de Luiz Fux, que defendeu a manutenção da criminalização da exploração de jogos de azar e ressaltou os impactos sociais da atividade, especialmente em relação ao comportamento compulsivo dos apostadores.
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