Nesta quarta-feira, 26, durante julgamento no STF, ministra Cármen Lúcia afirmou que as dificuldades enfrentadas pela Administração Pública brasileira não decorrem necessariamente da quantidade de servidores, mas da forma como esses profissionais são distribuídos e da defasagem tecnológica de órgãos públicos.
A manifestação ocorreu durante análise dos limites do poder do MPF para requisitar informações, perícias, serviços de servidores e meios materiais de órgãos estaduais.
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Segundo a ministra, países europeus como França e Itália possuem, proporcionalmente, número maior de servidores públicos. Para S. Exa., o problema brasileiro está na distribuição da força de trabalho, com determinadas estruturas concentrando profissionais enquanto outras enfrentam carência.
Cármen citou, como exemplos, professores cedidos que não chegam a atuar em sala de aula e localidades com falta de médicos, peritos e outros profissionais.
"O problema é que nós temos uma péssima administração, distribuição de servidores."
A ministra também afirmou que o país atravessa uma transição de uma Administração Pública que classificou como "artesanal" para as demandas de uma sociedade industrializada, globalizada e tecnológica.
Segundo Cármen, especialmente em órgãos e entidades locais, ainda há grande distância em relação ao uso de tecnologias digitais, inclusive pela falta de profissionais capacitados.
Para a ministra, essa deficiência deixa comunidades mais vulneráveis e prejudica o atendimento de necessidades básicas, como saúde e educação.
Ao tratar da desigualdade tecnológica, Cármen ressaltou que ainda há escolas públicas funcionando com estruturas tradicionais, enquanto parte da população dispõe de equipamentos de última geração.
"Nós somos um país que ainda tem escolas com quadro negro, com lousa, com giz."
A ministra afirmou ainda que arquivos em papel permanecem presentes em grande parte da Administração e defendeu que essa transição seja acelerada.
"Essa é uma passagem que nós temos que, o quanto antes, passar", concluiu.