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Adjetivos de Estado: o léxico de André Mendonça na decisão do STF

Em decisão de 33 páginas, ministro usa termos como “surreal”, “amorfo”, “estapafúrdio” e “abjeta e leviana” ao criticar relatórios da PF.

8/9/2026
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Machado de Assis, numa crônica de Balas de Estalo, de 1885, imaginou que, se fosse imperador, suprimiria os "adjetivos de Estado". Deixou a máxima: "Os adjetivos passam, e os substantivos ficam."

Na decisão desta terça-feira, 8, em que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada, ministro André Mendonça foi generoso nos adjetivos.

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Na decisão em que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, ministro André Mendonça foi generoso nos adjetivos.(Imagem: Arte Migalhas)

Ao longo das 33 páginas, os relatórios de inteligência da Polícia Federal são qualificados, entre outros termos, como:

  • documentos com “inúmeras anomalias”, “apócrifos” e “inservíveis”;
  • de fragilidade “óbvia e autoevidente” e um verdadeiro “nada jurídico”;
  • marcados por “cogitações etéreas” e conclusões “absolutamente descoladas da realidade”;
  • dotados de aspectos “estapafúrdios” e conteúdo “surreal”;
  • portadores de acusação “abjeta e leviana”;
  • recheados de “elucubrações estapafúrdias”;
  • amorfos”;
  • aptos a configurar “verdadeira arapongagem institucional”.

Em outro trecho, Mendonça fala em "superlativa perplexidade" e compara o quadro descrito na decisão à distopia de George Orwell em 1984.

O conjunto chama atenção pelo tom pouco usual em decisões judiciais e deixa evidente a severidade com que o relator avaliou os relatórios e sua produção.

Machado, ao fim, talvez ainda tenha razão: os adjetivos passam. O substantivo ficou. Afastamento.

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