A Justiça do Ceará revogou a prisão preventiva de João Munhoz Neto, namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com ele, em Fortaleza/CE.
A decisão é do juízo da 5ª vara do Júri da comarca de Fortaleza, que acolheu manifestação do Ministério Público e substituiu a prisão por medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico, proibição de deixar a comarca e determinação de distanciamento dos familiares da vítima.
A Justiça não informou os fundamentos que levaram à revogação da prisão.
Entenda o caso
O caso ganhou repercussão depois que a mãe da estudante relatou, em vídeo publicado nas redes sociais, que deixou de conseguir contato com a filha e procurou o namorado. Segundo ela, ao perceber que havia sido bloqueada, foi até o prédio e soube pela síndica que Isabelle havia morrido no dia anterior e que o corpo já havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal.
Em 22 de setembro, João Munhoz Neto foi preso preventivamente. Conforme apuração divulgada pelo g1, a medida foi fundamentada nos arts. 122 e 147 do CP, que tratam, respectivamente, de indução, instigação ou auxílio a suicídio ou automutilação e de ameaça.
Horas antes da queda
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e havia estagiado por cerca de 20 dias em um escritório de advocacia de Fortaleza, onde conheceu João. Poucas semanas antes da morte, a jovem havia se mudado para o apartamento onde viviam o namorado, a mãe dele e um irmão.
No dia da morte, imagens de câmeras de segurança registraram Isabelle chegando ao edifício às 17h58. João foi até a portaria encontrá-la e os dois subiram juntos pelo elevador.
Às 18h33, ele aparece deixando o prédio com outra roupa. Às 19h12, Isabelle foi registrada entrando no elevador em direção ao terraço, localizado no 23º andar. O apartamento em que ela vivia ficava no 15º andar.
A última mensagem enviada pela estudante à mãe foi registrada às 19h22. Segundo a Polícia Civil, Isabelle caiu do edifício e foi encontrada às 20h40.
João retornou ao condomínio às 22h48, quando um veículo da perícia forense já estava no local.
Investigação
Durante as investigações, a Polícia Civil também cumpriu mandado de busca e apreensão relacionado à mãe de João. O celular dela e um tablet foram recolhidos para perícia.
O telefone de Isabelle também foi periciado e seu conteúdo está sob análise. Imagens de câmeras de segurança do condomínio igualmente são examinadas pelos investigadores.
O laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte, com lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico.
Os procedimentos judiciais relacionados à investigação tramitam em segredo de Justiça.
Prisão revogada
Ao analisar o caso, o juízo da 5ª vara do Júri de Fortaleza acolheu manifestação do Ministério Público e revogou a prisão preventiva de João.
Em substituição à prisão, foram impostas medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, proibição de se ausentar da comarca e obrigação de manter distância dos familiares de Isabelle.