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Nenhum dos advogados compareceu ou compareceram?

Confira "Nenhum dos advogados compareceu ou compareceram?"

27/6/2007

1) A indagação que se faz busca saber qual a forma correta:

I) – Nenhum de seus dois advogados compareceu à audiência?;

II) – Nenhum de seus dois advogados compareceram á audiência?

2) Em casos dessa natureza, podem ser feitas as seguintes observações:

a) – a expressão "nenhum de seus dois advogados", quanto à Gramática, é similar a outras da mesma espécie (algum dos advogados, cada um dos advogados, cada qual dos advogados, qualquer um dos advogados...);

b) - em todas elas, há, por primeiro, um pronome indefinido ou expressão equivalente (nenhum, algum, cada um, cada qual, qualquer um);

c) – o núcleo do sujeito é exatamente esse pronome ou expressão do singular;

d) – a outra expressão (dos advogados) não pode ser núcleo do sujeito, no mínimo, porque é preposicionada, e o sujeito, em nossa estrutura lingüística, não vem precedido de preposição.

3) Resolvidas essas questões estruturais, a questão se torna fácil: aplica-se a regra básica de concordância verbal, que diz, em síntese, que o verbo concorda com o seu sujeito (mais especificamente com o núcleo do sujeito).

4) Em termos práticos, confiram-se os exemplos quanto à correção:

I) – "Nenhum de seus dois advogados compareceu à audiência" (correto);

II) – "Nenhum de seus dois advogados compareceram à audiência" (errado);

III) – "Algum dos advogados podia ter comparecido à audiência" (correto);

IV) – "Algum dos advogados podiam ter comparecido à audiência" (errado);

V) – "Cada um dos advogados compareceu a seu modo à audiência" (correto);

VI) – "Cada um dos advogados compareceram a seu modo à audiência";

VII) – "Cada qual dos advogados compareceu a seu modo à audiência" (correto);

VIII) – "Cada qual dos advogados compareceram a seu modo à audiência" (errado);

IX) – "Qualquer um dos advogados poderia ter comparecido à audiência" (correto);

X) – "Qualquer um dos advogados poderiam ter comparecido à audiência" (errado).

Colunista

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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