Tem profissional do Direito escondendo comando dentro de petição para orientar a inteligência artificial do tribunal, em texto branco sobre fundo branco, invisível para o juiz, legível para a máquina. O TRT8 flagrou, multou em mais de oitenta mil reais e oficiou a OAB. Parecia caso isolado, até o STJ mencionar um acervo de processos, Campo Grande registrar vinte e oito ocorrências de uma vez, e o CNJ entrar na conversa. Isso tem nome técnico: prompt injection. Mas talvez o nome técnico esteja cobrindo uma questão mais ampla sobre a forma como começamos a nos relacionar com essas ferramentas no trabalho intelectual.
Neste episódio, Sílvia Piva analisa esses casos para pensar o que muda quando sistemas probabilísticos entram na rotina de profissões sustentadas por confiança, interpretação e responsabilidade. E o que essas situações talvez revelem sobre algo que nenhuma ferramenta consegue automatizar completamente: a ética de quem a utiliza. E a pergunta crocante que fica disso tudo é: o que estamos dispostos a fazer com a IA quando ninguém está vendo?
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