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Sindicância interna hospitalar: Afastamento ilegal

É cada vez mais comum que, após uma intercorrência assistencial, o hospital instaure uma sindicância interna.

5/6/2026
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Um ponto essencial a ser tratado:

Nem todo afastamento é legal

O que é a sindicância interna hospitalar?

A sindicância interna é um procedimento administrativo interno, instaurado pelo hospital para apurar fatos ocorridos dentro da instituição.

Ela não é processo judicial

Ela não é processo no CRM

E não pode, por si só, gerar punições definitivas

O objetivo deveria ser apurar fatos, não antecipar sanções.

O hospital pode afastar o médico automaticamente?

Não. O afastamento não pode ser automático, genérico ou sem fundamentação.

O hospital não pode:

  • Afastar o médico sem justificativa técnica concreta;
  • Impedir acesso a pacientes ou prontuários sem ato formal;
  • Impor sanção disfarçada de "medida preventiva";
  • Violar o contraditório e a ampla defesa.

Quando isso acontece, há fortes indícios de ilegalidade.

Quando o afastamento do médico é ilegal?

O afastamento tende a ser ilegal quando:

  • Não existe risco imediato à segurança do paciente;
  • Não há decisão formal, escrita e motivada;
  • Não é garantido direito de defesa;
  • O afastamento é usado como punição antecipada;
  • Há dano à reputação ou à atividade profissional do médico.

Sindicância não é pena.

Qualquer medida restritiva precisa ser excepcional e fundamentada.

Afastamento ilegal pode gerar responsabilização do hospital?

Sim. O afastamento indevido pode gerar:

  • Danos morais;
  • Danos profissionais;
  • Prejuízo financeiro;
  • Responsabilização civil do hospital.

Além disso, pode contaminar futuras apurações no CRM ou no judiciário.

O que o médico deve fazer ao ser afastado?

O primeiro erro costuma ser aceitar o afastamento em silêncio.

O médico deve:

  • Exigir formalização da medida;
  • Preservar provas;
  • Evitar manifestações informais;
  • Buscar orientação jurídica especializada.

A forma como esse afastamento é conduzido impacta diretamente toda a defesa futura.

A sindicância interna é um instrumento legítimo.

O afastamento arbitrário, não. Médicos não podem ser tratados como culpados antes da apuração.

Respeito ao devido processo é obrigação, não favor.

Se você é médico e está passando por uma sindicância interna ou afastamento hospitalar, procure orientação especializada desde o início. A estratégia correta no começo evita danos irreversíveis. Preserve a sua carreira.

Autor

Monique Magalhães Moraes Advogada referência na Defesa dos Médicos no CRM e Judiciário. Conselheira do Hospital Municipal Carlos Tortelly. Fundadora FEC. Compliance Saúde - Hosp. Sírio-Libanês. Coordenadora de Dir. Médico ESA

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