Com mudanças regulatórias, aumento do volume de processos e pressão por resoluções mais rápidas, o setor jurídico tem recorrido cada vez mais ao uso de tecnologia para tornar a rotina profissional mais dinâmica. Um estudo da OAB/SP em parceria com a Trybe revelou que 62% dos advogados de escritórios ou empresas privadas usam tecnologia regularmente no trabalho.
“A adoção de soluções tecnológicas contribui para que os advogados concentrem mais tempo na parte estratégica dos processos e menos em tarefas operacionais repetitivas. Isso impacta não apenas a produtividade, mas também na qualidade das entregas e resultados” explica Klaus Riffel, porta-voz da doc9, empresa de tecnologia parceira de grandes escritórios de advocacia e departamentos jurídicos corporativos.
Klaus listou algumas ferramentas e práticas que tendem a ganhar ainda mais espaço no cotidiano judiciário por auxiliarem na redução de custos, automação do dia a dia e no melhor controle de fluxos. Confira as principais:
Logística jurídica digital
A gestão de audiências, diligências, cálculos judiciais e representações jurídicas deve se tornar cada vez mais padronizada e centralizada em plataformas digitais, impactando positivamente escritórios com alto volume processual e passando a ser uma prática estratégica da operação, reduzindo riscos, retrabalho e despesas.
Certificados digitais na nuvem
A gestão de certificados digitais na nuvem deve crescer impulsionada pela necessidade de mais segurança e controle. Ao permitir o acesso e o gerenciamento de certificados diretamente pelo navegador, sem instalações ou tokens físicos, essas soluções facilitam a rastreabilidade em tempo real sobre quem acessou os certificados, em quais sistemas e para quais ações, contribuindo para conformidade com a LGPD e mais transparência nos processos.
Análise de dados aplicada ao Direito
O uso de dados no ambiente jurídico será uma solução de apoio à tomada de decisões. Mais do que apenas acompanhar o andamento de processos, ferramentas de análise permitem mapear padrões de risco, medir desempenho de estratégias, monitorar a performance de advogados e identificar oportunidades de otimização em carteiras de clientes com processos complexos, conectando resultados aos objetivos econômicos das empresas de forma mensurável.
Integração de sistemas
Com a evolução de plataformas como PJe, Projudi e e-SAJ, cresce a demanda por softwares capazes de se adaptar rapidamente às mudanças técnicas e integrar informações de forma confiável, evitando falhas. À medida que o setor amadurece digitalmente, a tendência para 2026 é que a integração passe a ser um tema de governança, já que inconsistências entre sistemas podem gerar riscos, perda de prazos e impactos financeiros negativos.
Hiperpersonalização no atendimento
A tecnologia permitiu que escritórios ganhassem escala e organizassem demandas. No entanto, esse avanço também trouxe o desafio de evitar um atendimento excessivamente padronizado. A tendência para 2026 é o uso da própria tecnologia para viabilizar uma advocacia mais personalizada e proativa, baseada na leitura contínua de dados, histórico de decisões e contexto de cada cliente. Em vez de reagir a solicitações, o jurídico passa a antecipar riscos, alertar sobre oportunidades e atuar de forma mais estratégica, fortalecendo a relação com o cliente sem abdicar da eficiência operacional.
IA jurídica especializada
Ferramentas treinadas com foco específico no contexto legal – jurisprudência, legislação, doutrina e linguagem técnica – tendem a se consolidar mais, apoiando atividades como pesquisa jurídica, análise de documentos, revisão de peças e organização de informações. A tendência é que a IA seja utilizada como apoio à tomada de decisão e à produtividade, sem substituir o julgamento técnico do advogado.
“O uso de uma IA sem viés jurídico pode gerar interpretações equivocadas de leis, pois elas não foram treinadas para compreender o contexto jurídico brasileiro. Nesse ambiente, onde decisões têm impacto direto sobre pessoas e empresas, o uso de tecnologia precisa ser criterioso e alinhado às práticas do setor” explica o CEO e fundador da doc9.