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“Sem a toga, sou mais um corpo preto”: desembargadora relata racismo em supermercado

Adenir Carruesco afirmou que episódio revela lógica social que associa pessoas negras ao serviço.

20/5/2026
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Um episódio vivido fora dos tribunais levou a desembargadora federal Adenir Alves da Silva Carruesco, do TRT da 23ª região, a refletir nas redes sociais sobre as consequências do racismo estrutural na vida cotidiana.

A situação ocorreu em um supermercado de Cuiabá, onde a magistrada foi abordada de forma insistente por uma cliente que acreditava que ela trabalhava no estabelecimento.

Assista:

No vídeo, Adenir disse que, em um domingo, após fazer sua caminhada matinal, passou pelo supermercado.

Enquanto caminhava entre as gôndolas, foi abordada por uma senhora que buscava informações sobre produtos e sobre a localização deles.

Segundo a desembargadora, para a cliente, parecia natural que ela estivesse ali para servi-la.

“Ela agiu pela lógica. Pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou. O lugar natural do preto é o serviço. A lógica diz, preto não ocupa espaços de poder, preto não é juiz, preto não é desembargador.”

Adenir afirmou que essa percepção social associa pessoas negras ao serviço e nega a elas espaços de poder. 

“Os pretos brasileiros não estão nos tribunais superiores. Basta ver e a mulher negra menos ainda. Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal.”

A magistrada concluiu que a estrutura do racismo precisa ser desconstruída cotidianamente.

“O problema não é aquela mulher no supermercado, é a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada um domingo de cada vez.”

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