Em 2017, Pedro Pacífico acabava de ser efetivado em um escritório de advocacia quando criou, paralelamente, uma página despretensiosa para compartilhar as leituras que fazia.
O perfil, que mais tarde se tornaria o Bookster e alcançaria 1 milhão de seguidores em 2026, nasceu como um hobby, enquanto a advocacia permanecia como prioridade profissional.
Durante mais de uma década, as duas trajetórias caminharam lado a lado. Pedro permaneceu no escritório em que ingressou como estagiário, tornou-se sócio e atuou na área de Contencioso Estratégico e Arbitragem até o fim de 2024.
Em entrevista ao Migalhas, o influenciador falou sobre a convivência entre Direito e literatura, a decisão de deixar a advocacia e a influência da formação jurídica em sua maneira de ler.
Pedro conta que ingressou cedo na advocacia. Ainda durante a graduação, iniciou um estágio acadêmico e, posteriormente, passou a integrar um escritório no qual permaneceu por dez anos.
Foi justamente quando foi efetivado que criou o Bookster.
"No começo era algo muito pequenininho, só um lugar em que eu postava as minhas leituras."
Por muitos anos, a literatura ocupou apenas o tempo livre. A ideia inicial era compartilhar impressões sobre livros, sem qualquer pretensão profissional. Com o crescimento das redes sociais, porém, o Bookster deixou de ser apenas um passatempo.
Parcerias, contratos e uma comunidade cada vez maior fizeram com que o projeto passasse a exigir dedicação comparável à advocacia.
Ao mesmo tempo, Pedro tornou-se sócio do escritório e assumiu novas responsabilidades. O acúmulo de funções acabou levando-o ao limite físico e emocional.
A decisão de deixar a advocacia veio apenas no fim de 2024. Desde então, passou a dedicar-se integralmente ao Bookster.
Sua atuação no universo literário, no entanto, já havia se ampliado antes: em 2023, estreou como autor com "Trinta segundos sem pensar no medo: memórias de um leitor", publicado pela Intrínseca.
Direito também é narrativa
Para Pedro, a formação jurídica influenciou profundamente sua forma de ler literatura.
Mais do que o conhecimento técnico, ele afirma que o Direito ensina a compreender pessoas e a construir narrativas.
"Você tem que escrever uma petição de convencimento a um juiz. Aquilo é uma narrativa."
Segundo ele, cada processo exige organizar fatos e apresentá-los de maneira coerente e convincente, exercício muito próximo da construção literária.
A convivência diária com conflitos humanos também transformou seu olhar como leitor.
"O Pedro leitor se tornou um leitor mais observador do outro nos livros."
Ao mesmo tempo, afirma que a literatura aprimorou sua atuação profissional ao ampliar sua capacidade de compreender pessoas e desenvolver maior sensibilidade diante das histórias que encontrava na advocacia.
Os autores que o acompanham
Entre suas principais referências, Pedro cita Gabriel García Márquez, José Saramago e Lygia Fagundes Telles - sua "veterana", que também cursou Direito no Largo de São Francisco.
Raio-x da obra
Trinta segundos sem pensar no medo: memórias de um leitor
Em seu livro de estreia, publicado pela Intrínseca em 2023, Pedro Pacífico combina memórias pessoais e reflexões sobre as leituras que o acompanharam em diferentes momentos da vida. A obra aborda o processo de autoaceitação, a sexualidade, a ansiedade e a maneira como os livros contribuíram para a construção de sua identidade.