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Passaporte entra no planejamento patrimonial, dizem especialistas

Vinicius Bicalho (Bicalho Legal Consulting P.A.) e Fabio de Paula explicam os impactos da internacionalização sobre famílias brasileiras, com reflexos no patrimônio, na sucessão, nos negócios e na mobilidade.

15/9/2026
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O planejamento patrimonial, antes concentrado em imóveis, investimentos, empresas e sucessão, passa a considerar também a mobilidade internacional da família. Para brasileiros com projetos no exterior, cidadania e residência em outros países integram estratégias de longo prazo.

O movimento acompanha a expansão da migração internacional de patrimônio. Segundo a Henley & Partners, 142 mil milionários mudaram de país em 2025, número que pode chegar a 165 mil em 2026, considerando pessoas com pelo menos US$ 1 milhão em patrimônio líquido investível.

No Brasil, a demanda por orientação migratória também cresceu. No primeiro semestre de 2026, mais de 4 mil brasileiros buscaram orientação sobre imigração internacional. Os Estados Unidos concentraram cerca de 60% da demanda, seguidos por Portugal. Famílias estiveram envolvidas em 67% dos casos, enquanto carreira foi a principal motivação em 72% dos atendimentos. A procura de empresas brasileiras interessadas em expandir para os Estados Unidos cresceu 25% no período.

Para o advogado Vinicius Bicalho, CEO da Bicalho Legal Consulting P.A., professor e especialista em Direito Imigratório, esse movimento mostra que a decisão de buscar uma segunda cidadania ou residência internacional está cada vez mais relacionada a um projeto familiar e empresarial. "Não se trata necessariamente de uma decisão de deixar o Brasil. Muitas famílias estão buscando construir possibilidades para os próximos anos, seja para os filhos estudarem, para desenvolver negócios ou para ter maior liberdade de escolha sobre onde viver", explica.

Segundo o especialista, empresas, imóveis, investimentos e planos de sucessão exigem que a escolha de uma nova jurisdição seja acompanhada de planejamento patrimonial.

Vinicius Bicalho, CEO da Bicalho Consultoria Legal e especialista em Direito Imigratório.(Imagem: Reprodução/Bicalho Legal Consulting P.A./Alterada por IA)

Fabio de Paula, advogado e professor especialista em holdings e planejamento patrimonial, complementa que decisões relacionadas à internacionalização precisam estar alinhadas à estrutura jurídica e sucessória da família.

"Quando há planos de internacionalização, é importante avaliar desde o início os impactos dessa decisão sobre empresas, patrimônio e sucessão. A estrutura precisa acompanhar os objetivos da família e não ser pensada apenas depois que a mudança acontece", afirma.

Para ele, um segundo passaporte não reorganiza automaticamente os bens nem altera a situação fiscal de uma pessoa. Cidadania, residência legal e residência fiscal são conceitos distintos, e a mudança de país pode gerar consequências jurídicas e tributárias que devem ser avaliadas individualmente.

Por isso, os especialistas alertam as famílias que já possuem ou pretendem construir patrimônio em mais de uma jurisdição. Segundo eles, o planejamento pode envolver diferentes profissionais e frentes de atuação, com a imigração definindo as possibilidades de permanência e atuação no exterior e o planejamento patrimonial organizando bens, empresas e sucessão de acordo com os objetivos estabelecidos.

Nesse cenário, os especialistas concluem que o passaporte deixa de ser apenas um documento de viagem e passa a representar, para algumas famílias, mais uma peça de uma estratégia que combina patrimônio, sucessão e liberdade de escolha sobre o futuro.

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