Migalhas Quentes

OAB envia ofício a Fachin pedindo o fim do inquérito das fake news

Entidade aponta “natureza expansiva” do procedimento e pede providências para sua conclusão.

23/2/2026
Publicidade
Expandir publicidade

A OAB pediu, nesta segunda-feira, 23, ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, a adoção de medidas para concluir o Inq. 4.781, conhecido como inquérito das fake news, por sua “natureza expansiva”.

Em ofício, o Conselho Federal afirmou haver “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração”, especialmente quando, segundo sustenta, o objeto se torna elástico e a tramitação se prolonga.

Instaurado de ofício no STF em março de 2019, o procedimento se aproxima de sete anos.

A entidade disse que, embora a apuração tenha sido aberta em cenário de “grave tensão institucional” e tenha tido relevância na defesa da ordem constitucional, o contexto atual exigiria reavaliar limites e duração.

OAB envia ofício a Fachin pedindo o encerramento do inquérito das fake news no STF.(Imagem: Raul Spinassé/CFOAB)

Para a Ordem, como o inquérito foi aberto com base regimental excepcional, a condução deve observar com rigor essa excepcionalidade, já que o modelo constitucional prevê apuração de fatos determinados e com delimitação material clara.

No documento, a OAB alertou para o risco de ampliação contínua do escopo e mencionou a possibilidade de “absorção sucessiva de condutas distintas”, o que afetaria previsibilidade e segurança jurídica.

Também citou relatos de inclusão recente de pessoas e fatos que não estariam ligados ao núcleo original, defendendo base normativa adequada e objeto previamente delimitado para cada investigação.

A entidade ainda destacou o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a liberdade de expressão, além das prerrogativas da advocacia, e afirmou que acessos ilegais e vazamentos são “absolutamente inaceitáveis”. Para o Conselho, o prolongamento do quadro alimenta “tom intimidatório”.

Ao final, o Conselho Federal e o Colégio de Presidentes das Seccionais pediram providências para concluir os chamados “inquéritos de natureza perpétua”, evitar novos procedimentos expansivos e solicitaram audiência com o presidente do tribunal para apresentar suas preocupações.

Contexto

Aberto em março de 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o inquérito das fake news teve o ministro Alexandre de Moraes designado como relator, com base na interpretação de dispositivos do Regimento Interno do Supremo sobre crimes cometidos contra a Corte.

Desde então, a apuração acumulou desdobramentos que ampliaram seu alcance e alimentaram controvérsias. Entre os episódios mais marcantes está a prisão do então deputado Daniel Silveira, em 2021, após divulgar vídeo com ameaças e ataques a ministros do STF, medida confirmada pelo plenário e depois convertida em condenação.

O caso também embasou operações da Polícia Federal contra blogueiros, influenciadores e parlamentares aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, com buscas e apreensões, quebras de sigilo, bloqueio de perfis e pedidos de extradição, como no episódio envolvendo Allan dos Santos.

O inquérito voltou ao noticiário na última semana após o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, determinar operação de busca e apreensão contra quatro servidores da Receita Federal, suspeitos de acessar e vazar dados sigilosos de parentes de ministros do STF.

Leia o ofício completo.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Leia mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos