Laéssio Rodrigues de Oliveira é um personagem incomum no mundo do crime. Não ficou conhecido por assaltar bancos, traficar drogas ou integrar facções, mas por mirar bibliotecas, museus, arquivos públicos e instituições culturais.
Nesta semana, a Fundação Casa de Rui Barbosa teve papel direto nas investigações que o levaram à prisão. Vinculada ao ministério da Cultura, a instituição acionou as autoridades após identificar que Laéssio teria tentado aliciar um profissional de segurança.
Segundo a Fundação, a proposta envolvia a substituição de uma obra original do acervo por uma réplica, em troca de vantagem indevida.
Diante da suspeita, a Casa de Rui Barbosa formalizou uma notícia-crime, comunicou o caso à Polícia Federal e aos órgãos competentes e passou a colaborar com as apurações que levaram à prisão de Laéssio.
Veja a íntegra da nota:
O episódio, porém, não é isolado. Neste ano, o nome do suspeito já havia aparecido em outros casos envolvendo instituições culturais.
Em fevereiro, segundo noticiado pela Folha de S.Paulo, a Polícia Civil de São Paulo apontou que ele teria ido ao Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo acompanhado de outras duas pessoas, usando máscara e se apresentando como pesquisador. Reconhecido pelo presidente da instituição, João Tomás do Amaral, Laéssio deixou o local sem que houvesse furto.
Ainda assim, o caso levou o instituto a suspender temporariamente o acesso de pesquisadores ao acervo.
Também segundo a Folha, a Polícia Civil paulista passou a investigá-lo como possível mandante do roubo à Biblioteca Mário de Andrade, ocorrido em 7/12/25.
Na ocasião, dois homens armados invadiram a biblioteca e levaram oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari, integrantes da obra Menino de Engenho. Segundo a investigação, as peças ainda não haviam sido recuperadas e poderiam ter sido enviadas ao exterior.
A apuração da Polícia Civil, conforme relatado pela Folha de S.Paulo, indicou que Laéssio teria pesquisado previamente a Biblioteca Mário de Andrade e a coleção Jazz, de Matisse, antes do crime.
O jornal também pontuou que dados telemáticos teriam indicado contato entre ele e um dos suspeitos de executar o roubo, além de sua possível presença na mesma região após o assalto. Com isso, a polícia passou a tratá-lo como provável mentor intelectual da ação e destinatário das obras.