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Copa: Influencer pode monetizar conteúdo com visto de turista? Entenda

Entendimento das autoridades considera onde a atividade foi realizada, e não apenas o local de pagamento.

15/6/2026
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A Copa do Mundo nos Estados Unidos tem movimentado milhares de torcedores, influenciadores, youtubers, jornalistas e criadores de conteúdo interessados em mostrar jogos, bastidores e experiências nas redes sociais. A exposição, porém, pode trazer risco migratório quando o material produzido no país é monetizado por estrangeiros sem autorização adequada para trabalhar.

Entre os casos citados nas redes sociais está o de Virginia Fonseca. Segundo o advogado Daniel Toledo, do Toledo Advogados Associados, especialista em imigração para os Estados Unidos, a situação da influenciadora é diferente porque ela possui cidadania americana.

"Um cidadão americano tem autorização plena para viver e trabalhar nos Estados Unidos. Portanto, as restrições migratórias relacionadas a vistos não se aplicam ao caso dela", explica.

Especialista explica que a monetização de conteúdo produzido nos EUA pode ser interpretada como atividade profissional pelas autoridades migratórias.(Imagem: Reprodução/Redes sociais)

De acordo com Toledo, o alerta vale para influenciadores, jornalistas, youtubers e criadores de conteúdo estrangeiros que entram no país com visto de turismo ou outra categoria que não autorize atividade profissional. Nesses casos, a monetização do conteúdo produzido em território americano pode ser interpretada pelas autoridades como trabalho sem autorização.

"Ter cidadania americana muda completamente o cenário. O problema surge quando a pessoa depende de um visto que não permite o exercício daquela atividade específica", afirma.

Quando a produção de conteúdo pode ser considerada trabalho?

Embora muitos visitantes gravem vídeos durante viagens ou eventos esportivos, a situação muda quando existe remuneração direta ou indireta relacionada à atividade. Publicidade, patrocínios, visualizações monetizadas ou qualquer outra forma de retorno financeiro podem levar as autoridades migratórias a entender que houve exercício de atividade laboral em território americano.

"Se a pessoa está nos Estados Unidos produzindo conteúdo que será monetizado, seja por publicidade, patrocínio, visualizações ou qualquer outra forma de remuneração, ela pode ser enquadrada como alguém exercendo atividade laboral no país", explica Toledo.

O advogado ressalta que a restrição não foi criada especificamente para a Copa do Mundo nem decorre de mudança recente na política migratória americana. A vedação já está prevista na INA - Immigration and Nationality Act, legislação que regula vistos e imigração nos Estados Unidos.

Segundo ele, a interpretação das autoridades considera que a geração de renda decorrente de atividades realizadas fisicamente em território americano pode configurar trabalho, independentemente do pagamento ser recebido em outro país ou do conteúdo ser publicado posteriormente.

Nem todo vídeo representa um problema

Especialistas destacam que há diferença entre o turista que registra momentos da viagem para uso pessoal e o profissional que depende da produção de conteúdo como fonte de renda.

Na prática, um visitante que grava vídeos de um jogo para compartilhar com amigos ou publicar ocasionalmente nas redes sociais dificilmente enfrentará questionamentos. O cenário muda quando a atividade envolve canais monetizados, contratos publicitários, cobertura jornalística profissional ou qualquer expectativa de retorno financeiro.

"Os agentes de imigração analisam o contexto da viagem. Se identificarem que a pessoa vive da produção de conteúdo, possui audiência relevante ou está cobrindo um evento de forma profissional, podem questionar qual é a autorização migratória utilizada para aquela atividade", afirma Toledo.

O alerta também alcança jornalistas independentes, fotógrafos, cinegrafistas, documentaristas e produtores de conteúdo que realizam coberturas para veículos de comunicação ou plataformas digitais.

Consequências podem ser severas

Quem for considerado em situação irregular pode enfrentar penalidades como cancelamento imediato do visto, negativa de entrada no país, deportação e dificuldades para obter novas autorizações migratórias no futuro.

Dependendo da gravidade do caso e das informações prestadas às autoridades, o histórico da infração pode permanecer registrado nos sistemas do governo americano e influenciar futuras análises de admissibilidade.

"O principal erro é acreditar que, por receber o pagamento no Brasil ou em outro país, a atividade deixa de ser considerada trabalho. O que as autoridades avaliam é onde a atividade foi realizada e qual era sua finalidade econômica", explica o advogado.

Além do impacto migratório imediato, uma ocorrência desse tipo pode comprometer planos futuros de estudo, trabalho ou imigração para os Estados Unidos.

Como agir em uma abordagem da imigração

Caso um criador de conteúdo ou profissional da mídia seja questionado por agentes de imigração durante a entrada no país ou durante o evento, a recomendação é agir com transparência.

Mentir para autoridades americanas ou apresentar informações falsas costuma gerar consequências mais graves do que a própria suspeita inicial de irregularidade. Também não é aconselhável ocultar equipamentos, contratos ou atividades profissionais, nem apagar conteúdos, excluir arquivos ou alterar informações durante uma fiscalização.

Se houver dúvidas sobre a situação migratória ou suspeita de enquadramento por atividade profissional não autorizada, a orientação é buscar assessoria jurídica especializada antes de assinar documentos ou prestar declarações mais detalhadas.

Planejamento evita problemas

Com o crescimento da economia dos criadores de conteúdo e da cobertura digital de grandes eventos internacionais, Toledo recomenda que profissionais que pretendem monetizar material produzido nos Estados Unidos realizem planejamento migratório antes da viagem.

A orientação é verificar previamente qual categoria de visto é adequada para a atividade que será desempenhada e não presumir que o visto de turismo seja suficiente para qualquer tipo de produção audiovisual.

"Quando existe monetização, contrato publicitário, cobertura profissional ou expectativa de remuneração relacionada ao conteúdo produzido, é fundamental avaliar a situação antes da viagem. Resolver a questão migratória antecipadamente é muito mais simples do que lidar com uma acusação de trabalho irregular na imigração", conclui.

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