O STF anunciou, nesta quinta-feira, 17, o cancelamento da sessão extraordinária prevista para esta tarde. Segundo comunicado da Corte, a decisão ocorreu por determinação da Presidência do Tribunal.
"Por determinação da Presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), a sessão extraordinária desta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, foi cancelada."
O Supremo não apresentou, até o momento, outras explicações para o cancelamento.
É a terceira vez neste mês que uma sessão plenária presencial é cancelada. Nos dias 9 e 10 de setembro, a Corte também suspendeu sessões previstas em meio aos desdobramentos da crise envolvendo o caso Master e às divergências entre ministros sobre decisões relacionadas à cúpula da PF.
O novo cancelamento ocorre em um ambiente de tensão entre integrantes da Corte, que voltou a se manifestar publicamente nesta manhã após os embates registrados na sessão extraordinária de terça-feira, 15.
Tensão pela manhã
Horas antes do anúncio do cancelamento, o gabinete do ministro André Mendonça divulgou nota em reação a uma publicação do ministro Gilmar Mendes nas redes sociais.
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Sem citar nominalmente o decano, o texto acusou o interlocutor de recorrer à "truculência" para sustentar "ilações vazias", falou em "verborragia" e defendeu a criação de um código de ética específico para os integrantes do Supremo.
- Veja a íntegra da manifestação.
A manifestação respondeu às críticas feitas por Gilmar à atuação de Mendonça nos procedimentos relacionados ao caso Master. Em publicação no X, o decano acusou o ministro de dar viés político à condução do caso e empregou expressões como "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral".
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário.
Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável.
E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.
Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência.
E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça.
Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato.
A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.
O novo capítulo prolongou o embate que já havia chegado ao plenário na terça-feira, 15, durante a sessão extraordinária convocada para analisar a Pet 16.662, relacionada a relatório produzido pela PF no âmbito do caso Master.
Na ocasião, o mérito da petição não chegou a ser examinado. Os ministros discutiam uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgamento conjunto das Pets 16.662 e 16.704 quando o ministro Flávio Dino pediu vista, suspendendo a análise.
Durante aquela sessão, Gilmar e Mendonça protagonizaram uma troca de acusações. O decano questionou a condução dos procedimentos e o afastamento da cúpula da Polícia Federal determinado por Mendonça, enquanto o ministro classificou como "leviana" a acusação de que estaria agindo com interesses político-eleitorais.