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AM Cast debate alta de reestruturações empresariais em 2027 e 2028

Durante o podcast, Joel Luís Thomaz Bastos apontou juros elevados, restrição de crédito e efeitos persistentes da pandemia entre os fatores que pressionam os negócios.

1/10/2026
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Em entrevista ao AM Cast, podcast do escritório André Menescal Advogados, o advogado Joel Luís Thomaz Bastos, especialista em insolvência e reestruturação empresarial, avalia que o Brasil deve registrar um pico de pedidos de reestruturação de empresas em 2027 e 2028. Segundo ele, a perspectiva está relacionada aos juros elevados, à dificuldade de acesso ao crédito e aos efeitos ainda presentes da pandemia nos negócios.

"O que eu vejo é que eu acho que a área de insolvência e reestruturação tem ainda uns dois anos de picos de trabalho. Os próximos dois anos, eu estou falando em 2027 e 28", afirmou o convidado durante a conversa conduzida por André Menescal e Lívia Paiva, advogados e sócios no escritório. Assim como Bastos, Lívia é advogada com foco em insolvência e reestruturação.

Com mais de 30 anos de carreira, Thomaz Bastos esclarece que a recuperação econômica exige tempo e que parte das empresas ainda não superou os impactos da crise sanitária decorrente da pandemia de covid-19. Ao explicar sua projeção, citou uma taxa de juros de 14% e um cenário de crédito muito limitado ou indisponível para os clientes. "Existe ainda um efeito retardado que eu acho que o pessoal não enxerga mais, mas dentro das reuniões você vê que ainda tem gente que não passou a régua na pandemia", observou.

??André Menescal e Lívia Paiva conversaram com Joel Luís Thomaz Bastos no AM Cast.(Imagem: Reprodução/YouTube/André Menescal Advogados)

Segundo o especialista, os juros elevados encarecem os empréstimos e aumentam o custo das dívidas com taxas variáveis, enquanto a menor oferta de crédito torna os bancos mais seletivos na concessão de recursos. Nesse cenário, empresas que precisam de capital para cobrir despesas ou substituir dívidas podem enfrentar dificuldades para obter financiamento. A consequência, afirmou, é o aumento da necessidade de reestruturação, com renegociação de dívidas, ampliação de prazos, redução de despesas e reorganização das operações.

No varejo, Thomaz Bastos identifica outro fator de pressão sobre as empresas, a dificuldade de adaptação às plataformas digitais e às mudanças na maneira de consumir. Em sua avaliação, problemas operacionais podem permanecer sem diagnóstico enquanto o empresário concentra a atenção no caixa.

O advogado ainda criticou a pouca atenção ao planejamento econômico-financeiro. Para ele, essa postura dificulta a identificação de problemas que vão além da disponibilidade imediata de recursos. "O ruim do empresário brasileiro é que ele é muito mais orientado pelo caixa do que pelo planejamento econômico-financeiro", disse.

Diante desse cenário, o convidado prevê forte demanda por diferentes instrumentos de reorganização de dívidas, incluindo recuperações extrajudiciais, cautelares preparatórias e recuperações judiciais. Ele também apontou a possibilidade de desdobramentos na área de falências ao fim desse período.

A entrevista completa está disponível aqui.

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