Dentro de campo, no futebol, Brasil e Marrocos se enfrentaram apenas três vezes. Fora dele, porém, os dois países mantêm uma relação diplomática que ultrapassa 100 anos e vem se fortalecendo em áreas estratégicas como comércio, defesa, agricultura e cooperação política.
A relação entre os dois países mostra que, além da rivalidade esportiva pontual, Brasil e Marrocos compartilham uma parceria diplomática construída ao longo de mais de um século.
Dentro das quatro linhas
O primeiro encontro ocorreu em 1997, no Torneio Hassan II, disputado em Casablanca. O Brasil venceu por 2 a 0.
No ano seguinte, as seleções voltaram a se enfrentar pela fase de grupos da Copa do Mundo de 1998, na França. A equipe brasileira confirmou o favoritismo e venceu por 3 a 0.
O duelo mais recente aconteceu em março de 2023, em Tânger. Embalado pela campanha histórica na Copa do Mundo do Catar - quando terminou em quarto lugar -, Marrocos derrotou o Brasil por 2 a 1, conquistando uma vitória inédita diante da Seleção Brasileira.
Relação diplomática
Segundo informações do ministério das Relações Exteriores, as relações diplomáticas entre Brasil e Marrocos foram estabelecidas em 1906. Desde então, os países construíram uma agenda bilateral baseada em cooperação política e econômica.
A abertura das embaixadas, nas décadas de 1960, consolidou a presença diplomática permanente entre os dois países. Em 1999, a criação do Mecanismo de Consultas Políticas ampliou o diálogo bilateral.
A partir dos anos 2000, ainda segundo o governo, Brasil e Marrocos passaram a firmar acordos em setores estratégicos como defesa, comércio, agricultura, investimentos e cooperação jurídica.
Acordo de extradição
Um dos marcos recentes dessa aproximação foi a entrada em vigor do Tratado de Extradição entre Brasil e Marrocos. O acordo, assinado em 2019, passou a valer oficialmente em 1º/12/25, após aprovação legislativa e ratificação pelos dois países.
No Brasil, o tratado foi promulgado pelo presidente Lula em abril de 2026, por meio do decreto 12.951.
O acordo estabelece que os dois países poderão solicitar a entrega de pessoas processadas criminalmente ou já condenadas pela Justiça. A extradição dependerá de requisitos previstos no direito internacional, como a dupla tipificação do crime - ou seja, a infração deve ser considerada crime em ambas as legislações - e pena mínima de dois anos de prisão.
Nos casos de cumprimento de sentença, o tratado prevê que o restante da pena seja de, no mínimo, um ano. O texto também estabelece limites para a extradição, como nos casos de crimes políticos ou quando a pessoa possui nacionalidade do país em que se encontra.
Intercâmbio bilateral
Além das relações diplomáticas, Brasil e Marrocos mantêm relação comercial relevante.
Segundo o ministério das Relações Exteriores, em 2025, a corrente de comércio entre os dois países chegou a US$ 2,8 bilhões, com equilíbrio entre exportações e importações: US$ 1,4 bilhão em cada sentido.
Do lado brasileiro, os principais produtos exportados foram açúcares e melaços, milho não moído e animais vivos. Nas importações, predominam adubos e fertilizantes químicos, que representaram mais de 80% das compras brasileiras.
A relação é estratégica para o agronegócio nacional, já que Marrocos está entre os principais produtores mundiais de fertilizantes fosfatados, insumo essencial para a produção agrícola no Brasil.