O ministro Gilmar Mendes, do STF, criticou nesta terça-feira, 15, o que classificou como condução político-eleitoral dos desdobramentos do caso Banco Master. Para o ministro, o momento escolhido para a produção e divulgação de relatório com mensagens envolvendo Alexandre de Moraes teria inserido indevidamente a Corte no cenário das eleições de 2026.
"Evidente condução político-eleitoral. Escolha do 7 de setembro até pixulecos. Isto não se faz. Pessoas decentes não fazem isso", afirmou.
Segundo Gilmar, suspeitas relacionadas ao caso já haviam surgido em março, e relatório da Polícia Federal submetido ao relator em abril detalhava o vazamento que teria dado origem às informações divulgadas pela imprensa.
Nesse contexto, questionou o momento escolhido para a requisição de novo relatório.
“Apesar de todas essas suspeitas já estarem postas desde o início de março, o relator aguardou a chegada do período eleitoral para encomendar um relatório que muito provavelmente implicaria exatamente quem ele buscava implicar.”
O ministro também criticou a retirada monocrática do sigilo do documento antes que a questão fosse submetida ao plenário. Na avaliação de Gilmar, a medida buscaria constranger posições contrárias e impor à Corte um fato consumado perante a opinião pública.
“Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos”, afirmou.
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Separem o Supremo das eleições
Ao abordar as repercussões eleitorais do episódio, Gilmar destacou“separem o Supremo das eleições e não tentem envolver o Supremo nas eleições (...) deixem o Supremo seguir o seu destino, e as eleições que sigam o seu destino. Ao contrário do que se faz aqui".
O ministro classificou como “aprendizes de feiticeiro” aqueles que, em sua avaliação, tentaram arrastar a Corte para esse tipo de disputa.
"E se deram muito mal, porque são aprendizes de feiticeiro. Tentaram arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iriam ficar imunes e impunes? É de uma desfaçatez de corar frade de pedra, ministro Fux. De corar frade de pedra! Em nome de Deus! Como em nome de Deus já se fez muita patifaria."
Vazamentos
Na parte final da manifestação, Gilmar também questionou a origem dos vazamentos de informações relacionadas ao caso.
“Quem é o vazador-geral da República? Quem é que vaza? É a Polícia Federal? É o gabinete do André? É a Secretaria do Supremo?
É interessante que nos nossos gabinetes, ministro Fux, não se vaza nada. E depois fica disputando quem é que vai fazer a investigação do vazamento. Quer dizer, quem vai fazer a cobertura do vazamento".
O julgamento
O STF analisa os desdobramentos da crise institucional surgida a partir das investigações do caso Banco Master.
No centro da controvérsia estão, de um lado, a validade da requisição feita por André Mendonça à Polícia Federal que levou à produção de relatório com dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro e mensagens envolvendo Alexandre de Moraes; de outro, as medidas adotadas por Mendonça contra integrantes da cúpula da PF, após afirmar ter sido alvo de monitoramento pela inteligência da corporação.
- Processo: Pet 16.662